Controle do Potássio na Doença Renal Crônica: o que você precisa saber para cuidar da sua saúde

O potássio é um mineral essencial para o bom funcionamento do corpo. Ele participa de funções vitais como a contração muscular, o equilíbrio dos batimentos cardíacos e a transmissão dos impulsos nervosos.

Mas, em pessoas com Doença Renal Crônica (DRC), o controle desse mineral é fundamental, e pode ser questão de vida ou morte.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que é o potássio e qual seu papel no organismo;
  • Por que ele se eleva na DRC;
  • Quais são os riscos do potássio alto;
  • Como o controle é feito;
  • E como a alimentação interfere diretamente nos níveis de potássio.

O que é o potássio e por que ele aumenta na doença renal?

O potássio está presente em quase todos os alimentos e é indispensável ao funcionamento do coração, músculos e sistema nervoso.
Em condições normais, os rins eliminam o excesso de potássio pela urina, mantendo o equilíbrio no sangue.

Na Doença Renal Crônica, porém, a função dos rins fica comprometida, e essa eliminação é reduzida.
O resultado? O potássio começa a se acumular no sangue, levando à hipercalemia (potássio elevado).

⚠️ O que acontece quando o potássio está alto?

Quando o nível de potássio no sangue sobe demais, o coração pode ser diretamente afetado.
Entre os sintomas e riscos estão:

  • Fraqueza muscular e fadiga;
  • Formigamento ou dormência;
  • Batimentos cardíacos irregulares (arritmias);
  • Em casos graves, parada cardíaca.

O mais preocupante é que, muitas vezes, o potássio alto não dá sintomas perceptíveis, sendo identificado apenas em exames.
Por isso, o monitoramento regular é indispensável.

A alimentação e o controle do potássio

A alimentação é o principal fator de controle do potássio em pacientes com DRC, especialmente para quem ainda urina pouco ou faz hemodiálise.

 Mas atenção: o objetivo não é eliminar o potássio completamente, e sim controlar a ingestão.

Equilíbrio é a chave

O corpo precisa de potássio para funcionar bem. O problema está no excesso, principalmente em quem tem limitação na filtragem renal.

Alimentos naturalmente ricos em potássio

Alguns alimentos, mesmo naturais, contêm altas quantidades desse mineral.
Veja alguns exemplos de alimentos ricos em potássio, que podem precisar de controle:

  • Frutas: banana, laranja, abacate, melão, mamão, manga, caqui.
  • Verduras e legumes: batata, tomate, beterraba, espinafre, abóbora, brócolis.
  • Outros: chocolate, castanhas, feijão, lentilha, leite e derivados.

Mas isso não significa que estão proibidos.
Em muitos casos, o preparo adequado, como deixar de molho ou cozinhar com bastante água e descartar a água do cozimento, reduz o teor de potássio desses alimentos.

Alimentos com menor teor de potássio

Algumas opções mais seguras (sempre sob orientação profissional):

  • Frutas: maçã, pera, uva, morango, abacaxi, melancia.
  • Legumes: pepino, chuchu, cenoura, abobrinha, couve-flor.
  • Outros: arroz, massas, pão branco, biscoitos simples.

Esses alimentos podem ser incluídos com mais liberdade na dieta, desde que equilibrados com as demais necessidades nutricionais do paciente.

Cuidado com os substitutos de sal e temperos prontos

Muitos produtos rotulados como “sem sódio” ou “naturais” usam cloreto de potássio como substituto do sal.
Isso pode elevar rapidamente os níveis de potássio no sangue sem que o paciente perceba.

Por isso, leia sempre os rótulos e evite produtos com expressões como:

“cloreto de potássio”, “potassium chloride”, “sal light”, “sal com potássio”.

E quanto aos medicamentos e quelantes?

Alguns medicamentos, principalmente os usados para controlar a pressão arterial, também podem aumentar o potássio, como:

  • Inibidores da ECA (ex: enalapril, captopril);
  • Bloqueadores dos receptores de angiotensina (ex: losartana);
  • Suplementos e vitaminas com potássio.

Esses medicamentos não devem ser interrompidos por conta própria, o ajuste precisa ser feito pelo médico.

O papel dos quelantes e da diálise no controle do potássio

Diferente do fósforo, não existem quelantes específicos para potássio usados rotineiramente.
 

Quando há risco de hipercalemia grave, o médico pode indicar:

  • Ajuste de dieta e medicamentos;
  • Redução de alimentos ricos em potássio;
  • Em casos emergenciais, tratamentos rápidos em hospital para estabilizar o potássio.

Durante a hemodiálise, parte do potássio acumulado é removida. No entanto, a diálise sozinha não é suficiente, o controle precisa ser diário, feito na alimentação e acompanhamento médico.

E se o potássio continuar alto mesmo seguindo as orientações?

Se os níveis permanecem elevados mesmo com dieta e diálise, pode haver:

  • Consumo “oculto” de alimentos ricos em potássio (como molhos, sucos, substitutos de sal);
  • Uso de medicamentos que aumentam o potássio;
  • Intervalos longos entre as sessões de diálise;
  • Retenção de líquidos.

Nesse caso, o ideal é revisar o plano alimentar com o nutricionista renal e ajustar o tratamento com o nefrologista.

Conclusão

Manter o potássio sob controle é essencial para a segurança e a qualidade de vida de quem tem doença renal crônica.
Com acompanhamento regular, ajustes alimentares e atenção aos sinais do corpo, é possível viver bem e evitar complicações graves.

Se você faz hemodiálise ou tem diagnóstico de DRC, converse com seu médico e nutricionista. 

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